um dia, você decide sair da casa do seus pais. Ou talvez, tudo foi planejado. Você quer fazer sua “própria vida”. Isso não significa que você deixou de amar seus pais – pelo contrário, precisa fazer isso por eles. Então você vai morar sozinho (a). Em uma casa ou em um ap, na mesma cidade ou em outro estado. Ou quem sabe em outro país.
Passado um tempo, te perguntam: “sério que você está conseguindo? Viver sozinho, sem ninguém pra conversar a qualquer momento, dever ser ruim, não é?” Não, não é. Você não está só.
Você vai ao cinema sozinho ( eu não gosto rsrs ). Vai ao shopping sozinho. Compra um sorvete e senta no parque sozinho. Coloca uma música alta e dança sozinho. Prepara a mesa com um lugar. Tem uma cama enorme para uma pessoa. Lê um livro sozinho, faz uma maratona de filmes e séries na Netflix sozinho. Isso não é solidão; Ao menos que você transforme a liberdade em algo ruim.
Na verdade, você nunca está sozinho. Em nenhum dos momentos você fica solitário. Você tem a sua própria companhia. Se você acredita em Deus, Ele está a todo instante com você. Você pode falar “sozinho” o dia todo, mas na verdade ele está ouvindo tudo. Você pode falar para seu próprio “eu”, isso é ter um autoconhecimento ainda maior. Ou pode ficar em silêncio e meditar, ouvindo tudo – inclusive a batida do seu coração. Nesse momento, você sabe que não está só.
Se quiser achar que isso é solidão, tudo bem. Mas para mim isso é liberdade. Uma liberdade de estar a todo instante com você, sem ninguém para intervir nessa relação. É aprender a se suportar, a se amar mais. Dançar sozinho? Claro que não! Você dança com cada átomo do ar, cada átomo seu, cada átomo de tudo ao redor. Você dança com a música, ela te guia.
E sabe de uma coisa? Se não consegue ficar sozinho, como pode querer se dar bem com outra pessoa? Como você acha que consegue amar alguém? Amando a si mesmo, primeiro. Quando você se compreende, se entende, se ama, aí sim consegue conviver e amar outras pessoas.
Falar que “não ter ninguém” é solidão, é acabar esquecendo de você mesmo. É passar por cima da sua liberdade – e em hipótese alguma isso pode acontecer.
Estar sozinho é se escutar. Escutar seus sonhos, os sentimentos que às vezes ficam escondidos, os desejos, as loucuras, as ideias. É descobrir coisas novas, caminhos e soluções. É se tornar mais sábio. É descobrir o que existe de mais precioso aí dentro.
Precisamos parar de ter medo dessa “solidão”: ter medo dela, significa ter medo de saber quem você realmente é. Não tenha medo da sua individualidade.
Até a borboleta tem que sair sozinha do casulo. Se ela tiver ajuda, acaba morrendo.
“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.” – Rubem Alves.

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